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A Volta do Homem-Morcego, chamado pelo bat-sinal!
04 / 07 / 2006

 

     Salve, Bat-fã! Com o mesmo entusiasmo e uma boa carga de responsabilidade, estou de volta à coluna Bat-Nostalgia, para comentar o cine-seriado de Batman de 1949, outra realização da Columbia Pictures. Aliás, vale a pena registrar aqui a importância dessas produções, que se tornaram uma verdadeira “febre” na época, marcando uma nova geração de fãs e cinéfilos do gênero. Meu pai – um bom apreciador de seriados – conta que, nas cidades do interior ou mesmo nos bairros distantes das grandes capitais, onde as salas de projeção eram precárias, muita gente chegava a levar cadeiras da própria casa até o cinema, só para assistir às sessões matinês.
   Sucesso de público sim, mas não de crítica. Mais uma vez, a Columbia Pictures deixou a desejar. Seis anos após a primeira versão cinematográfica de Batman, a empresa convidou Spencer Bennet, outro especialista em filmes B e seriados de baixo orçamento como Superman, Congo Bill e Mulher-Tigre, para exibir nas telas “A Volta do Homem- Morcego” (tradução de Batman and Robin no Brasil).
     Desta vez, Robert Lowery e John Duncan encarnaram, respectivamente, o Homem-Morcego e o Menino-prodígio. Na trama, nossos heróis foram chamados pelo Comissário Gordon, através do bat-sinal – que fez sua estréia cinematográfica nesta versão de 49 – projetado da janela do seu gabinete, com a missão de localizar o aparelho de controle remoto, roubado pelos capangas do mascarado vilão, conhecido como O Mago.
   Na nova produção da Columbia, inexplicavelmente, o nome do mordomo Alfred não apareceu nos créditos principais, tampouco o nome do ator que o interpretou. Mas trouxe, pela primeira vez, além do Comissário Gordon (Lyle Talbot), a jovem fotógrafa Vicki Vale (Jane Adams), personagem interpretada 40 anos depois, pela atriz Kim Basinger, no longa “Batman – The Movie”(Warner/1989).

     O batmóvel, que no seriado de 43 era um Cadillac preto, virou um conversível cinza. Mas, seguindo o formato anterior, esta versão reuniu 15 episódios eletrizantes, numa estória repleta de brigas, correrias e suspense – para o delírio dos batmaníacos e a alegria dos fanáticos por filmes de ação. A aventura colocou Vicki, Bruce Wayne e Dick Grayson assistindo ao Mago e seu bando (verdadeiros gangsters de ternos, chapéus e revólveres) em um assalto à joalheria.

     Os bandidos, liderados pela figura sinistra, roubam os diamantes necessários ao funcionamento de um aparelho, criado pelo Professor Hammil. Este aparelho pode deter, à distância, a marcha de um automóvel, de um avião ou de um trem. Para complicar a situação dos heróis combatentes do crime, o terrível o Mago possui o Raio da Morte, um raio elétrico com alto poder de destruição. E a pergunta não quer calar: Batman e Robin conseguirão recuperar o aparelho em prol da humanidade? Para os fãs, não há dúvidas! A versão de 49 teve a direção musical assinada por Mischa Dakalenikoff, que criou um tema de abertura, muito utilizado também em diversos seriados da Columbia Pictures. Produzido por Sam Katzman, o elenco de “A Volta do Homem-Morcego” contou ainda com os nomes de Ralph Graves, Don Harvey e William Fawcett, entre outros.

  Na ficha técnica,  George H. Plympton, Joseph F. Poland e  Royal K. Cole assumiram o roteiro e Ira H. Morgan, a direção de fotografia. O figurino, no entanto, merece um comentário à parte. Os costureiros do estúdio criaram verdadeiras fantasias de carnaval. Robert Lowery (Batman), então, com os seus chifrinhos ridículos, ficou parecendo o diabo dos bailes do América, clube de futebol do Rio de Janeiro. John Duncan (Robin), com todo o respeito ao nosso entrevistado no site, era parrudinho demais para usar aquela roupa, digamos, tão “justa”. O uniforme dos dois enrugava constantemente, as botas eram folgadas e a capa não tinha a leveza natural na hora dos combates. O que a capa de Batman se enroscava com os bandidos durante os confrontos não estava no gibi. E não estava mesmo!
  Para o bat-fã que adora curiosidades, é bom saber que, após esta produção, os protagonistas chegaram a participar de

outros filmes B e seriados sem muita expressão.
Robert Lowery, ex-vocalista de uma banda de rock, continuou sua carreira de ator nos anos seguintes, trabalhando até 1968.

O segundo Batman do cinema nasceu em Kansas City, EUA, em 17 de outubro de 1913 e morreu em 26 de outubro de 1971, em Hollywood, de ataque cardíaco. John Duncan, que nasceu em 7 de dezembro de 1923, pode ser visto, hoje, pela Internet, "Robin - John Duncan", em que apresenta fotos e pôsteres autografados para a venda. O ator, entrevistado por Renato Araújo neste site, mostra-se encantado com o sucesso de Batman no Brasil e lembra com saudades, quando, aos 26 anos, interpretou Robin – o menino-prodígio.    
 

Jorge Ventura é ator, jornalista e publicitário.

 


 

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