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     Livro Vermelho - (25/10/2005)

 

     O lançamento este mês da coleção completa em DVD dos filmes da franquia Batman (1989-2005) foi mais gratificante que os fãs brasileiros esperavam. O segredo está no detalhe que já é o diferencial de sucesso desse meio digital: os extras. Os DVDs duplos de cada um dos blockbuster da Warner trouxeram detalhes inéditos ou que foram apenas sugeridos pela imprensa especializada. O mais intrigante está no material não aproveitado em Batman Eternamente (1995). As boas surpresas dessa caixa vêm de duas cenas cortadas e que poderiam ter mudado a história do personagem em Hollywood.
     As críticas ferozes, inclusive deste escriba, aos excessos promovidos por Joel Schumacher nos seus dois filmes de Batman, nos quais prevaleceram o visual colorido e o apelo pop dos personagens, não mudam. Mas é preciso reconhecer que ele tinha a intenção louvável de fazer uma espécie de Batman Begins já em seu  primeiro longa com o Morcegão. No DVD número dois da caixa de Batman Forever estão os comentários do diretor de que tinha sido particularmente tocado pela história em quadrinhos Batman: Ano Um, de Frank Miller, que conta a origem do Cavaleiro das Trevas e serviu de base para o último filme da série. Os takes descartados Dilema de Batman e O Segredo da Batcaverna valem pelas 111 horas das quatro caixas.

     O livro vermelho (red book), o diário de Thomas Wayne, pai de Bruce, serviria como fio condutor de uma história repleta de conteúdo psicanalítico. Ficou incompleta a trajetória do objeto que representava as memórias reprimidas de Batman, condensando seu trauma pela perda dos pais, acrescido da queda no buraco que o levou pela primeira vez à caverna sob a mansão. A foto de Val Kilmer postado ao lado de um gigantesco quiróptero, que mais lembra o Morcego Humano, já estava incluída em materiais promocionais e em reportagens da época do lançamento. Mas ficaram, lamentavelmente, de fora da obra oficial.
     Sem os diálogos "cabeça" do bilionário com seu mordomo Alfred, o filme acabou descambando de vez para uma história com o Batman risonho dos anos 50. Com a presença do criador Bob Kane no set de filmagem, onde disse que aprovava Kilmer mas odiava os mamilos de sua bat-roupa, foram rodadas cenas com cenários gigantescos.

        O novo look ajudou na promoção do licenciamento de produtos, mas já começou a levar o herói por caminhos alternativos que o afastaram de vez da origem traumática.
     A carga psicótica amputada de Batman Forever só voltaria a aparecer e a ser aproveitada dez anos mais tarde, após muitos estragos na imagem cinematográfica do herói. Vale conferir a tal cena, sem fundo musical, de Bruce encarando seu maior medo (o sentimento de culpa pela morte dos pais), como uma espécie de mito da caverna às avessas e representada por um grande morcego. É bom também analisar a dúvida hamletiana que inspirou o título Forever do filme: ser ou não ser Batman? Sim, para sempre.
     Mais rápido que em outras épocas, o consumidor pôde levar Batman Begins para casa há apenas quatro meses após ele ter sido lançado na telona. Essa é uma tendência garantida no mundo, graças à velocidade trazida pela tecnologia digital, pela ânsia dos consumidores e pela concorrência das cópias piratas, que vinham driblando todos os esquemas de distribuição formais para chegar mais cedo nas bancas de camelôs. Os estúdios perceberam o grande filão dos vídeos domésticos, indicado pela gradual queda de bilheteria e pelas vendas de milhões de exemplares, sobretudo nos países emergentes da Ásia.

REFERENDO – Sim ou Não? O assunto é mesmo polêmico e tende a esquentar ainda mais até 23 de outubro, data do referendo nacional sobre a proibição da venda de armas e munições. A população brasileira está dividida ao meio entre contrários e favoráveis, todos munidos de argumentos honestos ou inventados pelo marketing. Mas o que os militantes do avanço no estatuto do desarmamento não pensaram foi tornar Batman um garoto-propaganda da campanha. Como todos sabem, o Homem-Morcego não anda armado e vive desarmando muita gente perigosa. Com exceção das suas primeiras histórias em quadrinhos e outras depois, muito raras, o herói sempre foi avesso às armas de fogo. Como cabo eleitoral no Brasil, tudo indica que ele, um norte-americano da gema, teria a mesma postura.

É FOGO! – Sir Paul McCartney fez um mau negócio. Poucos meses após ter comprado a lendária Mansão Wayne do seriado da TV (1966-1968), o ex-beatle assistiu à destruição do patrimônio pelas chamas. Uma das catástrofes que atingiram os Estados Unidos este ano, como furacões e incêndios em casas e florestas, chegou até Pasadena, na Califórnia, onde fica endereço visitado por fãs e curiosos de todo o mundo. Quando a imprensa noticiou que dezenas de bombeiros e funcionários tentaram, sem sucesso, debelar o fogo, omitiu-se o nome do dono atual, igualmente famoso. A mansão pertencia a Norman Preston Van Valkenburgh. Ele alugou a construção como cenário, sendo filmada em três dias, ao custo diário de US$ 1,5 mil. Apareceu também em filmes de Alfred Hitchcock, comerciais de TV e no filme Voltar a Morrer.